Planejamento Pastoral
Paulo VI afirmou: "Será que o asfixia espiritual na qual se encontram tantos indivíduos em instituições católicas, não teriam origem na prolongada ausência do autêntico espírito missionário?"
Este texto tem o objetivo de ajudar as lideranças das Pastorais, Movimentos e Serviços a fazerem uma reflexão sobre o planejamento das atividades de Evangelização.
"Devagar se vai longe", diz o povo. Mas só chega quem sabe para onde ir. O planejamento, sobretudo se for participativo, embora não seja uma solução mágica, é, sem dúvida, um processo que ajuda a crescer e trabalhar sabendo para onde se vai.
Planejamento, diga-se logo, não é somente decidir uma listagem de ações a serem executadas em determinadas datas e prazos. Este nós chamamos de "cronograma". Planejamento é o processo de tomar decisões a respeito do trabalho a ser feito.
Planejamento envolve muita reflexão antes, durante e depois. É um processo que não tem fim. Pode até chegar a exigir que se mude o plano proposto se o andamento do trabalho mostrar que é preciso fazê-lo.
Por que um planejamento.
Eis algumas das razões mais importantes:
1) O planejamento ajuda a superar o amadorismo: a pastoral muitas vezes sofre com improvisações.
2) Não basta planejar, mais importante é como planejar. Existe o planejamento empresarial, mas, na Igreja, o planejamento tem características diferentes.
3) Planejar para e, às vezes, com os outros, é uma forma autoritária de conduzir a ação, pois não basta ouvir os outros e, na hora, decidir sozinho, sem levar em consideração as outras opiniões.
4) Planejar sem mística é obrigar o Espírito Santo a fazer o que a gente quer. O planejamento, portanto, exige espiritualidade. O Espírito Santo não está aí para carimbar o que decidimos.
5) Na Igreja só tem sentido o planejamento quando a comunidade é sujeito dele. A Igreja é o clero e os leigos juntos.
6) O planejamento participativo leva à desconcentração do poder e evita as centralizações, pois cada âmbito eclesial decide dentro de sua especificidade, sempre porém tomando as iniciativas em comunhão.
7) Por outro lado, deve haver um discernimento comunitário, decisão partilhada e ação desconcentrada. Quem não participa do processo de tomada de decisão não tem nenhuma obrigação de participar da execução dos resultados.
8) Privilegiar o processo e não os resultados. Os resultados são a conseqüência.
9) Nem paroquialismo, nem universalismo generalizante. É a Igreja local a unidade básica do planejamento pastoral. Não cabe mais pensar eu e a minha paróquia.
10) O planejamento parte da base, num processo ascendente. O "novo" acontece de baixo para cima: a rotina tende a se estabelecer de cima para baixo, quando, quem já sabe, aplica o que aprendeu.
Requisitos básicos
O planejamento pastoral também exige alguns requisitos básicos:
1) Pés no chão: planejar é, antes de tudo, não ignorar a realidade. Não existe começar do zero, sempre há uma realidade. Pés no chão significa ler a realidade.
2) Olhos no horizonte: planejar é projetar resultados a alcançar, projetar um futuro desejável. Olhar longe é também sentir as tendências da realidade para onde vai o mundo. É vislumbrar a utopia evangélica para o próprio tempo e contexto.
3) Sujar as mãos: o futuro desejável precisa traduzir-se em ações concretas no presente, exige imaginação e criatividade no ensaio de buscas de respostas.
0 processo de planejamento.
Um processo exige uma prepararão e, muitas vezes, é mais importante o antes que o durante. Quanto aos passos preparatórios, começa-se por consultar as pessoas para elaboração de uma proposta.
Sensibilizar as pessoas, motivá-las e fazer com que descubram o valor. Não importa muito "quem" faz o convite. O importante é o "como", para que a pessoa assuma e se comprometa.
O processo exige uma coordenação. Coordenador é aquele que harmoniza e faz acontecer sem andar na frente, convicto que é preferível gastar tempo se educando e crescendo, do que fazer tudo rapidinho, mas sem que ninguém aprenda nada.
Constituir os organismos que vão tomar as decisões. Fazer assembléias com pessoas verdadeiramente representativas da paróquia, conselhos e serviços.
Capacitação na metodologia. O método também faz parte do processo. Preparar as pessoas dando-lhes condições para serem sujeitos.
Possíveis passos
Os possíveis passos de um processo de planejamento participativo podem ser estes:
1) A Sociedade e a Igreja que temos (marco da realidade). Ver as realidades eclesial e social. Lembrar que a Igreja atua no mundo. De fato, a realidade é local de manifestação do Espírito.
2) A Sociedade e a Igreja que queremos. O futuro não é pré-determinado (marco doutrinal).
3) Nossas urgências de evangelização e prioridades pastorais (diagnóstico).
4) O que fazer para que a realidade que temos se aproxime da realidade que almejamos (prognóstico).
5) O que vamos fazer? (programação) Não inventar objetivos fora da realidade. Ter critérios de ação. Cada contexto exige ações próprias.
6) As estruturas que darão suporte à ação (marco organizacional). Temos de considerar a instituição e, até muitas vezes, repensar a instituição. A instituição, a estrutura, é meio, não é fim.
Concluindo: sempre vai ter quem prefira não mudar nada e continuar carregando, ano após ano, as mesmas queixas sobre o que não deu certo. Mas também muitos são os que querem acertar. A estes apresentamos estas breves reflexões.
Não se faz planejamento
" só para ter um plano bonito a apresentar;
" para constar do arquivo;
" para ter o que cobrar;
" para obrigar todo mundo a trabalhar do mesmo jeito;
" para que fique proibido criar coisas novas.
Para que então se faz planejamento?
" para trabalhar melhor;
" para não perder de vista os objetivos;
" para confrontar tudo o que acontece com o objetivo que queremos alcançar;
" para aproveitar melhor os recursos disponíveis;
" para evitar esforços inúteis ou duplicados;
" para entender com mais clareza o próprio trabalho;
" e, principalmente, pra nos tornarmos cada dia mais competentes.
Fique de Olho...
...no resumo da nossa Terceira Assembléia Diocesana.
Objetivo Geral
Evangelizar, criando Comunidades missionárias, acolhedoras, solidárias e unidas para promover a vida, a justiça e a paz, rumo ao Reino Definitivo.
Lema
Somos Igreja, comunidades de discípulos em Missão.
Prioridade
Rede de Comunidades Missionárias
Destaques:
" Família e Juventude
" Formação e Espiritualidade
" Presença Pública da Igreja
Pistas de Ação
1. Instituir e dinamizar o Ministério da Evangelização das Famílias (da visitação, escuta e anúncio), como um meio concreto para que nossa Igreja seja missionária e vá ao encontro de todos, especialmente dos irmãos afastados e sofredores.
2. Criar ou reestruturar os Conselhos de Evangelização em todos os níveis: comunitário, paroquial, forâneo e diocesano, para que sejam formados por fiéis com participação efetiva na comunidade eclesial e funcionem em comunhão uns com os outros, respeitando o princípio da subsidiariedade.
4. Fazer o Planejamento Estratégico das atividades evangelizadoras paroquiais a partir das pequenas comunidades, em comunhão com a forania e a diocese, com base num diagnóstico acerca dos ministérios, pastorais e movimentos em funcionamento nas mesmas.
5. Acentuar a presença profética da Igreja na Sociedade, dentro e fora das estruturas eclesiais, tais como: hospitais, asilos, prédios, condomínios, presídios, escolas, casas de recuperação de drogados, famílias, meios de comunicação, sobretudo entre os necessitados e excluídos.
6. Deixar de falar para a Igreja e passar a falar como Igreja, a partir de um projeto de evangelização que desperte os fiéis e sobretudo as lideranças para a co-responsabilidade pastoral e evangelizadora.
7. Valorizar mais a Celebração da Palavra nas comunidades urbanas e rurais, não se limitando a reunir-se somente para celebrar a Eucaristia uma vez por mês.
8. Facilitar a comunicação dentro das comunidades e saber usar melhor os meios de comunicação para a evangelização, a formação dos fiéis e a divulgação das atividades evangelizadoras.
Adaptado do artigo de
Pe. Agenor Brighenti
jornal Missão Jovem.
III Assembléia Diocesana
do Povo de Deus
Diocese de Luz-MG